sábado, 8 de novembro de 2008

Delírio e Suicídio

Era jovem. Morava sozinho, trabalhava o dia inteiro e só chegava a casa - certa quitinete na avenida principal da cidade - exatamente às dezoito horas e vinte e sete minutos. Nunca mais nem menos. Isso porque deixava o serviço às dezoito e um. Dezoito e treze, estava a certa distância e o seu pensamento já se desligara completamente do trabalho. Um cliente ficara a ser contatado no dia seguinte, amanhã pensaria nele. Agora, a mente esvaziava-se e apenas os pés agiam cooperadamente a fim de levar o dono ao seu destino. Ou será que faziam por puro hábito? Afinal, sempre a mesma rotina!
Às dezoito e vinte, encontrava-se na sua rua. Enfim, despertava daquela hipnose; o movimento de carros, transeuntes passeando, estudantes à caminho da escola (outros não!). Uma mãe a puxar o filho birrento (ensurdecedor aquele choro. Uma alma ansiando por crescer. Desejando, ainda que inconscientemente: Mais alguns anos, eu viro o jogo!).
Dezoito e vinte e cinco, abria o portão da escada de sua quitinete. Aos berros, a vizinha de baixo ordenava-o, há uma semana, consertar a infiltração vinda da pia dele, que estava a estragar-lhe toda a pintura do teto, reformado há dois meses. Vou consertar, só não tive tempo. Domingo eu faço isso. Domingo não, tem de ser antes ou a minha pintura estraga de vez!
Sentava à cama, então, sempre às dezoito e vinte e sete. Um homem jovem. Sozinho, bonito, apessoado. No rosto, a barba sempre aparada, limpa. Tinha-a para embair-lhe o rosto de menino.
Quase sempre, após repetir a costumeira rotina, a vizinha chegava em seus concertos berrantes. Como é? Que tal meu teto? Olhe, se ele cai você fica sem onde pisar, idiota!
Iniciou-se mais um episódio da ópera.
Cala a boca, cabra velha! Domingo. Eu já lhe disse. Domingo terei tempo. Até lá, pare de mugir. Parece uma vaca com dores. Ou uma égua em instantes de parir. Domingo! Domingo!
A mulher emudeceu. Entrou em casa, aos prantos. O rapaz subiu. E passada a efervescência do sangue, mergulhou-se na escuridão em que costumava ficar.
Jogou a mochila ao pé da cama. Despiu-se. Roupas e sapatos ao chão, abriu a janela do quarto. Esta dava para o quintal da mulher de baixo. Sentiu o vento tocar-lhe o corpo. Gostava da brisa a lhe acariciar suas partes fronteiriças. Tão abafadas por horas inteiras. Agora, a recompensa. Um gratificante arrepio. Ali ficou quinze minutos e fechou a janela. Entrou para o banho. Estava frio do vento e a água tocava-lhe o corpo como cristais enregelados. Após o banho, enrolado na toalha, percebeu seu quarto, o seu mundo. Perguntou-se o que era. Por que era? Quem ele mesmo era. Era, era, era... Não achava resposta.
Sentou-se próximo ao banheiro, lembrou-se do trabalho que exercia sempre roboticamente. Bom dia, senhor. Constatamos um débito... tudo bem, senhor. Agradecemos a colaboração. Deus! E aquela mulher que toda noite puxa a criança como a um bezerro desgarrado. E a vaca lá de baixo. Sempre a mugir. Uma velha medíocre. E esse quarto. A pia que pinga incessantemente. Nada é bom, aqui. A janela. Ah! Essa me dá satisfação. O resto é ridículo.
O homem começou a olhar tudo, sentiu nojo. Da vida, do mundo, da velha de baixo, da mãe do menino, do menino, do trabalho, dos clientes, do quarto, do ventilador vagaroso e angustiante. Rodava, apenas. Ilusória tentativa. Ilusória vida. Traçando o mesmo caminho, a mesma velocidade, a mesma rotina. Tal a sua vida. E essa sensação o fez estremecer. Talvez nunca saísse da mesmice. Ilusória vida. E ele que sonhava ser grande! Não, não iria passar anos vendo sua derrota. Novamente, sentiu nojo de tudo, uma náusea fê-lo levantar-se e cair de imediato na cama. Sentia-se mal. Um novo estremecer balançou suas carnes. Percebeu-se sem forças, afundando no colchão. Minha cabeça dói, pensava. E tinha raiva. De novo, a figura da mulher de baixo, a pia, o menino, o choro dele, os berros da mãe, a avenida fervorosa, o mundo, a vida. Que vida? A mesma do ventilador? Não, não quero!
E teve febre. À sua frente, tudo vermelho, a desfazer-se. Um líquido viscoso a cair da sala da mulher de baixo. Vacas correndo injuriadas, num descampado que surgia ali. Éguas lhe davam coices e aquilo lhe doía as costelas. Um berro saía da torneira alargando-a extremamente. Doíam-lhe os ouvidos. O ventilador aproximava-se, as hélices a quererem mutilar-lhe a face. Uma vontade de gritar, a voz não veio. Um querer sair dalí, mas a força não comparecia. Mais coices. As costelas a doerem. As vacas pesadas, loucas, sem direção. O berro! A porta da quitinete diminuía e o resto era gosma. A náusea aumentava. Algo subia de seu estômago, dilatando o tubo digestório e chegando à boca. Expeliu algo seboso. Os viscos uniram-se e começaram a endurecer retomando a forma das coisas.
Tudo voltou ao normal. O jovem melhorou, retomando lentamente as forças. Levantou-se, abriu a janela. Tirou a toalha, buscou a satisfação de antes.
Não a encontrou. Culpou a janela. Amaldiçoou a brisa. Subiu ao parapeito, segurando-se fracamente nas laterais. O vento não vinha. Escorria-lhe o suor. Uma gota lhe caiu da nuca e deslizou-lhe pelo pescoço abaixo. Sentiu nojo, raiva. De novo, as figuras febris. Teve ímpetos de se jogar. E o fez.
Um surdo barulho foi escutado. De olhos abertos, ainda via a janela do quarto. Olhavam-no a velha de baixo, a mãe do menino, o menino, os clientes, os estudantes, o mundo, a vida, e a janela. Tudo se embaçou. Não viu mais nada. Negrume e silêncio.
Na escuridão, um despertador grita agudamente. O jovem acorda e vê-se debruçado sobre a escrivaninha, babando sobre um papel escrito. Estava vivo. Levantou-se. Leu o papel. Assinou-o e intitulou-o: “Carta de um suicida”. Abriu a gaveta e jogou lá dentro, onde havia outras cartas. Todas com o mesmo título, mas conteúdos e datas diferentes. Tomou banho, café, vestiu-se, foi-se. E certamente estaria em casa às dezoito horas e vinte e sete minutos...
Autor: Leo Cerqueira

Aprendi...

Aprendi...
Cada alma tem direito a um amor
Amor esse que tenho por você
Incondicional, infinito... sufocante.

Aprendi...
Que não sou a pessoa certa para você
Mas sou quem te ama
E jamais encontrarás quem te ame como eu.

Aprendi...
Que não se deve desistir de quem se gosta
Mas com lágrimas, escrevo que desisti
Não por falta de forças para lutar, mas por não suportar sofrer

Aprendi...
Que te amar me fez conhecer o sofrimento
Nas madrugadas de ciúmes, sem dormir
Nas correntes do orgulho, que este amor quebrou

Aprendi...
Que o coração não abandona o seu amor
Estou à espera dos verdes olhos, tentadores e cruéis
Mas por hoje... cansei.
Autor: Eionay Pereira 3° 'C'

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Eis o sentimento


Deitada, busco sonhos e descanso. Sobre uma tempestade de dúvidas, inevitáveis, sentimentos me possuem. Nunca sentidos, mas imaginados, outrora, em tempos melhores.
Eis o sentimento, o vazio. Com veemência, o nada me incorpora a alma, penetrando-me cada vez mais profundamente. Rapidamente, questões vêm e vão. Uma questão pertuba-me a existência: para que a vida com necessidades e caprichos saciados? A busca de uma vida melhor, confortável; para quê? Por quê?
A vida já não tem sentido. Desejo morrer. Mas a morte não tem sentido. Nada faço, nada quero. Ainda assim, a tempestade continua. São os sentimentos que surgem... Ressurgem. Enfim, tudo acaba. Eu adormeço profundamente.
Autora: Ana Amélia 3° 'A' Manhã

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

A Virgem dos Lábios de Fel


Garçom! Mais gelo, por favor. Disse eu, virando-me para o salão, onde meu olhar fixou-se na imagem de uma belíssima mulher. Nunca a tinha visto. Ela vinha em minha direção. Seu andar em câmera lenta era exuberante. Eu não piscava. Sua bronzeada pele, seu flamejante rosto, sua intensa formosura me remeteram à Alencar.
Um olhar doce e firme, ela vivificava as minhas fantasias romanescas.
O gelo. Disse o garçom, tirando-me do transe. Daquele momento mágico, acordei. Mas ela continuava vindo.
Tem horas? Sua sedutora voz também me encantou.
23h18min. Uma resposta imediata, estava hipnotizado.
Conversamos. Que simpatia! Falamos sobre tudo, sobre nossos gostos, sobre sua beleza... seus negros cabelos... Seria a minha Iracema? Queira tê-la, depressa. Mas ela não me aparentava facilidade. Lancei-lhe os meus encantos.
Paguei a conta sem demora e fomos a um lugar reservado. Ela era pura, assim me disse. Seria o primeiro de sua vida? Achei estranho. Acabávamos de nos conhecer, mas isto era supérfluo.
De suas mãos, aquela taça. O nítido e brilhante cristal. O clima tornou-se ardente. Beijos e carícias. A volúpia me fazia arder em chamas. Na realidade, fui eu quem se entregou àqueles devaneios. De suas mãos, aquela taça. O fosco e brilhante cristal.
Acordei de repente. O relógio marcava 9 horas. Do meu lado, a solidão. Percebi o abismo... e a ausência de minha carteira. Não eram apenas os níqueis. Meus cartões, meu relógio de ouro, minha roupa de grife. Nem os meus sapatos italianos ficaram. Somente a minha cueca, um pouco úmida pelo lascivo gozo da noite.
Eu, mais uma vítima.
Golpista desgraçada! Disse esbofeteando a cama. Na lateral direita, um pequeno bilhete, num manuscrito dourado: Você é esplêndido. Adorei a noite. Beijos da virgem dos lábios de fel.
Autor: Jair Silva 3º F

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Estranho,

Respiro pensando em você.
Estranho,
Alimento minha alma com pensamentos em ti.
Vivo por pensar em você.

Tenho você e não te toco.
Estranho,
Tenho ciúmes do vento que te toca.
Sinto o calor de tua alma, percebo teus desejos.

Queres-me como te quero?
Estranho,
Sinto o calor do teu corpo, respondendo-me os desejos.
Dóem os sussurros dos diferentes corações.
Autor: Elionay Pereira 3º Ano 'A'

Sofrer

Vivo mundos imaginários
As fantasias habitam-me.
Confusos pensamentos
Invadem-me a cabeça
Chegam-me ao coração
Perco razão e sentido
Paro na multidão
Perco-me no tempo
Navego em cogitações
Passam minutos... horas
Minha emoção grita
Lágrimas no olhar, lábios cerrados
Nenhum sussurro
Distante, uma voz pergunta
Tudo bem?
A trêmula voz responde
Tudo!
Autora: Kátia Ferreira 3° 'A'

Mares de Saudade

Vivo em mares que cantam outras cantigas, numa vastidão do universo, pensando em você. A tarde murmura melancolia, e eu não te tenho ao meu lado. Meus preguiçosos dias se estendem nos braços vespertinos. A tarde expira...
As estrelas deslumbram olhares que não são os seus. Sempre que a noite chega, estou sozinha. Ela vem-me repleta de sonhos. O mundo dorme... permaneço acordada. As estrelas viajam, ignorando a terra adormecida. Perco-me em recordações.
Distante de você, vivencio a saudade. Ela penetra-me o coração, um luar adentrando a noite. Um toque magnífico de beleza e suavidade. Os recantos mais sombrios tornam-se prateados. Enfeitam-se as singelas flores. Ameniza-se a infinita tristeza presente, porque surge em mim o encanto das tranqüilas horas passadas. Traz no gosto, beijos perdidos de amor.
Cerro os olhos e recordo dias... semanas... anos. Comigo, o brilho dos teus olhos.
Anseio-te ao meu lado, e dias menos longos. Às estrelas, imploro o teu amor. A saudade é amarga. Não tenho alento. Ela me faz sofrer. Mas bendita seja a saudade. Através dela, chega-me a tua presença.
Autora: Natália Santos Moreira

terça-feira, 9 de setembro de 2008

Confissões de colegial

Percebi que algo diferente aconteceu comigo. Foi a primeira vez que nossos olhares se cruzaram. No pátio. Na escola. Uma sensação de encontrar o que se buscava. Nenhuma explicação para tal certeza.
Sei que és quem sonhei encontrar. Em meu universo solitário, precisava de ti. Uma luz para os meus sentimentos. Em ti, o suavizar da minha solidão. Sou infantil em confessar? Proporcionas alegria ao meu coração.
A grandeza de tua alma, teu olhar me faz sentir. Atordoa-me a tua beleza. Há muito eu esperava. Imaginava-te em pensamentos. Sonhava contigo, antes deste momento. Ao perceber a tua presença, olho a tua alma. Os olhos de menino ingênuo. Confesso te amar, antes de te encontrar.Após os primeiros olhares, tudo mais evidente. Pra que fingir? Pra que fugir? Três segundos de olhares. Uma eternidade suficiente para certificar o amor existente. Incondicional, e eterno.
Autor: Elionay Pereira (3° C)

Velho Costume - II

Desde que chegara, sentara-se no banco próximo à porta e observava. Havia pessoas ali. No recanto à direita, sentada, uma senhora nos seus quarenta anos. Nas mãos, a xícara do café tilintava no contato com o pires trincado. Ao seu lado, os dois netos não se aquietavam. No outro, dois senhores com os seus chapéus na cabeça. Usavam bigode. Um deles tinha costeletas longas. Mantinham-se cabisbaixos e silenciosos. Esperavam a hora de sair. Em avançado estado de gravidez, uma mulher também esperava e espiava. Eram notórios o seu cansaço e o cochilo que tirava, recostando a cabeça na parede.Pessoas passavam para os lados da escola estadual. Do banco da praça, Marcos percebera o movimento e decidira seguir na mesma direção. Um pouco além do colégio, pessoas entravam e saíam da casa pequena e baixa, de cor amarela e reboco rachado. Também ele resolveu entrar. Entra, senta e observa.A mobília da casa era humilde. Apenas três tamboretes, uma pequena mesa recostada na lateral. Havia, ainda, duas cadeiras antigas, gastas pelo tempo, que sustentavam um caixão. O piso de grandes tijolos, grossos e antigos, trazia consigo lembranças de todos que por eles passaram. Do quarto, vinham soluços e vozes entrecruzadas. Marcos esforçava-se para escutar. Uma velha cortina, amarelada e suja, rasgada na ponta esquerda separava os limites entre a sala e um estreito corredor que dava acesso ao quarto. A tênue luz da sala emprestava ao ambiente uma nostálgica claridade. Marcos, sentado à porta, escutava e observava.No centro, o caixão. Por baixo do véu transparente, a ausência do fôlego vital. Um senhor moreno de idade avançada. No bolso da calça do morto, restos de fumo comprado de manhã cedo na bodega do seu Felício. Um moleque cuidava de espantar as poucas moscas que insistentes pousavam sobre o rosto do defunto. Também acendia as velas que o vento da noite teimava em apagar. Marcos a observar.A senhora de vestido preto chegou à janela e falou sem cerimônia. Era a hora do terço. Marcos a observou. Presos ao alto, os cabelos brancos lhe lembravam uma feiticeira. Tinha ainda um grande nariz e a pele enrugada. Mais algumas pessoas entraram na pequena sala. Fazia calor. Acomodadas à esquerda, duas garotas conversavam baixinho. Era sobre o defunto. Morrera de teimoso, garantiam.Marcos observava. Olhou as duas garotas. Morenas, magras, cabelos longos. Duas graúnas mal cuidadas, pensou. A mais alta não possuía um dos dentes da frente e tinha uma notável cicatriz no pescoço. A outra, mais baixa, de cabelos desgrenhados e tão pálida quanto a luz que se esvaia pelo ambiente, enxugou uma lágrima. Conversavam baixinho. Era sobre o defunto. Morrera de teimoso, garantiam. Marcos se esforçou para ouvir...
Autor: Nonato Costa

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

Queria...

Queria ser o raiar do sol... que te tocando o rosto te vem a acordar.
Queria ser a água fria... que ferozmente te estremece e te vem a banhar.
Queria ser o cobertor... que no frio te aquece e te vem a aconchegar.
Queria ser a chuva lá fora... que teus olhos fixos se põem a contemplar.
Queria ser o estrelado céu... que à noite ficas a admirar.
Queria ser a suave brisa... que pelo teu corpo vem a passear.
Queria ser a doce melodia... que escutas antes de sonhar.
Queria ser os belos sonhos... que por mim te fizessem suspirar.
Queria ser a mulher que tu amas... com quem um dia quisesses casar.
Autora: Kátia Ferreira (3° A)

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

Os planos

Dia triste. Caiu a ficha. Choro de arrependimento. O que fiz? Nada. Olho para trás, apenas tempos perdidos.
Fugiu-me o presente; tornou-se passado. O futuro me vem com arrependimentos. Não vivenciei o presente, apenas planos. Hoje, os planos acabaram. A vida mudou. Planos futuros encerram planos passados. Constantemente o mundo muda.
Futuro incerto. Planos para o futuro, planos traiçoeiros. Passado e presente, nada eu fizera.
Olhei para o futuro, não apreciei o presente. Planos que não deram certo. Minha vida tirou de mim aquilo que não vivi.
Autora: Ryanne Barbosa (3° A)

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

Poesia

Se romântica ou feliz
Mas sempre um real pensamento
De um coração batendo
De alegria ou descontentamento

Belas palavras, e até amorosas
Ou simplesmente melancólicas
Uma poesia sempre externando
O que jamais sairia de dentro.
Autora: Leidinice da Silva (3°A)

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

Jasmim

Das flores do meu jardim, existe a que se chama jasmim. A inocência desta flor concede-me lembranças da infância. Possui um equilíbrio que me encanta.
Quando criança, via alegre o orgulhoso jasmineiro. Perfumes exalavam-se pelo jardim. Neste instante, viajo em minhas recordações e vejo-me criança. Agarro-me aos galhos dos jasmineiros, quando os raios dourados do astro-rei misturam-se às radiantes cores dos meus jasmins. São puros e me refletem à luz.
Do alto do jasmineiro, abro os braços e sinto a brisa do nascente dia a tocar-me o rosto. Faz-me voar. Alio-me ao esparso perfume de minha flor. Torno-me mágicas lembranças. Sou o vento. Sou o aroma. Não sei como aconteceu, porque minha mente não me permite compreensão. Acredito que os encantos do jasmim tomaram conta de mim. Neste momento místico, sou criança novamente. Já não sei como voltar. Também não sei se quero.
Autor: Romário Lopes (3° A)

Criança-Brasil

Pé no chão... sonhos na mente...
Até no inconsciente... a desigualdade se sente!
Uma situação demais comovente...
Da criança-brasil, num Brasil de nossa gente!

Chão e poeira... realidade vivente...
Satisfação presente... consciência inexistente!
Brasil ineficiente, responsabilidade ausente...
Num Brasil-criança, sem compromisso presente!

Riso no rosto... fome ardente...
Um problema que vive, sente ou não sente?
Permanente situação... demais comovente...
Da criança-brasil, num Brasil de nossa gente!

Vida e futuro... criança carente...
Lazer e escola... nação deficiente!
Brasil descrente, responsabilidade ausente...
Num Brasil-criança, sem compromisso presente!
Autor: Nonato Costa

A Distância

Impetuosamente, desejo que ao meu regresso, você esteja aí. Da mesma forma: alegre, dócil, sorridente. Não quero nos olhos lágrimas de sangue. A distância poderia nos separar, mas apenas nos uniu.
Embora distantes, estamos juntos. Ontem, senti a prova. No ar, o seu inesquecível perfume. Aos meus ouvidos, os seus sussurros. Um murmúrio somente a mim perceptível. Em relances, o seu sorriso. Arrepiei-me na tênue luz noturna.
Ainda agora, as pernas vacilam. Fecho os olhos, reluto em abri-los. Novamente, tua respiração se faz escutar.
Por ti, uma intensa paixão. O coração vibra. Seus lábios prestes a me beijar. Completa-se o meu viver. Reativo alegrias num poço inundado de sentimentos. Em mim, um incêndio na floresta. Violentamente, tudo se consome. Tudo se destrói.
Sinto-me em tempestade marítima. Você triunfa, e meu feliz coração se rende. Mas a ilusão se esvai. O martírio me chega.
A realidade não permite devaneio. A distância poderia nos separar, e conseguiu.
Na memória, intensas lembranças. A despedida. Seus melancólicos olhos disseram-me adeus. Mas fui eu quem parti. Encantadoras palavras, afetuosos abraços. Doces beijos, saudosas lembranças.Na distância, cartas e e-mails. Como estás? Por traz da tela do computador, a certeza de você. Um envio, um retorno. Não estou oprimida, nem desesperada. Sei que lês o que escrevo e respondes o que pergunto.
Autora: Natália Santos Moreira

Um novo dia


Por trás de floridas árvores,
anuncia-se um novo dia.
Para alguns... a inspiração.
Para outros... nenhum encanto.
Chega-se a manhã.
Como moça de claros cabelos
...e contagiante sorriso.
As rosas vestem-se de perfume.
Um encanto de natural beleza.
Para todos... admirável.
Beleza sem dono,
...inspiram-se os mortais.
Viaja no tempo,
atravessa a imortalidade
...dia após dia.
Clara e radiante,
fazem-na os raios de sol.
Uma divina beleza.
Momentaneamente... morre.
Dá passagem à sua irmã.
...que lhe completa em ciclo.
Um encantador mistério.
Logo... o negrume dominante.
Um circuito que não pára.
Tudo é fugaz.
Em breve... a manhã novamente.
Um recomeço no horizonte.
Um encanto natural.
Uma vaidade espontânea,
...que inspira os amantes da vida.
Autor: Romário Lopes (3º A)

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

Mãos...

Mão que afaga o rosto.
Mão que aperta p gatilho.
Como conseguem ser tão iguais...
-na aparência-
e... tão diferentes?
-nas ações-
As mãos atendem sentimentos.
Obedecem aos donos,
como um bom filho obedece aos pais.
A decisão provém do coração.
As mãos não são diferentes,
mas sim...
os sentimentos de quem as comanda.
Autor: Nonato Costa