segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Estranho,

Respiro pensando em você.
Estranho,
Alimento minha alma com pensamentos em ti.
Vivo por pensar em você.

Tenho você e não te toco.
Estranho,
Tenho ciúmes do vento que te toca.
Sinto o calor de tua alma, percebo teus desejos.

Queres-me como te quero?
Estranho,
Sinto o calor do teu corpo, respondendo-me os desejos.
Dóem os sussurros dos diferentes corações.
Autor: Elionay Pereira 3º Ano 'A'

Sofrer

Vivo mundos imaginários
As fantasias habitam-me.
Confusos pensamentos
Invadem-me a cabeça
Chegam-me ao coração
Perco razão e sentido
Paro na multidão
Perco-me no tempo
Navego em cogitações
Passam minutos... horas
Minha emoção grita
Lágrimas no olhar, lábios cerrados
Nenhum sussurro
Distante, uma voz pergunta
Tudo bem?
A trêmula voz responde
Tudo!
Autora: Kátia Ferreira 3° 'A'

Mares de Saudade

Vivo em mares que cantam outras cantigas, numa vastidão do universo, pensando em você. A tarde murmura melancolia, e eu não te tenho ao meu lado. Meus preguiçosos dias se estendem nos braços vespertinos. A tarde expira...
As estrelas deslumbram olhares que não são os seus. Sempre que a noite chega, estou sozinha. Ela vem-me repleta de sonhos. O mundo dorme... permaneço acordada. As estrelas viajam, ignorando a terra adormecida. Perco-me em recordações.
Distante de você, vivencio a saudade. Ela penetra-me o coração, um luar adentrando a noite. Um toque magnífico de beleza e suavidade. Os recantos mais sombrios tornam-se prateados. Enfeitam-se as singelas flores. Ameniza-se a infinita tristeza presente, porque surge em mim o encanto das tranqüilas horas passadas. Traz no gosto, beijos perdidos de amor.
Cerro os olhos e recordo dias... semanas... anos. Comigo, o brilho dos teus olhos.
Anseio-te ao meu lado, e dias menos longos. Às estrelas, imploro o teu amor. A saudade é amarga. Não tenho alento. Ela me faz sofrer. Mas bendita seja a saudade. Através dela, chega-me a tua presença.
Autora: Natália Santos Moreira

terça-feira, 9 de setembro de 2008

Confissões de colegial

Percebi que algo diferente aconteceu comigo. Foi a primeira vez que nossos olhares se cruzaram. No pátio. Na escola. Uma sensação de encontrar o que se buscava. Nenhuma explicação para tal certeza.
Sei que és quem sonhei encontrar. Em meu universo solitário, precisava de ti. Uma luz para os meus sentimentos. Em ti, o suavizar da minha solidão. Sou infantil em confessar? Proporcionas alegria ao meu coração.
A grandeza de tua alma, teu olhar me faz sentir. Atordoa-me a tua beleza. Há muito eu esperava. Imaginava-te em pensamentos. Sonhava contigo, antes deste momento. Ao perceber a tua presença, olho a tua alma. Os olhos de menino ingênuo. Confesso te amar, antes de te encontrar.Após os primeiros olhares, tudo mais evidente. Pra que fingir? Pra que fugir? Três segundos de olhares. Uma eternidade suficiente para certificar o amor existente. Incondicional, e eterno.
Autor: Elionay Pereira (3° C)

Velho Costume - II

Desde que chegara, sentara-se no banco próximo à porta e observava. Havia pessoas ali. No recanto à direita, sentada, uma senhora nos seus quarenta anos. Nas mãos, a xícara do café tilintava no contato com o pires trincado. Ao seu lado, os dois netos não se aquietavam. No outro, dois senhores com os seus chapéus na cabeça. Usavam bigode. Um deles tinha costeletas longas. Mantinham-se cabisbaixos e silenciosos. Esperavam a hora de sair. Em avançado estado de gravidez, uma mulher também esperava e espiava. Eram notórios o seu cansaço e o cochilo que tirava, recostando a cabeça na parede.Pessoas passavam para os lados da escola estadual. Do banco da praça, Marcos percebera o movimento e decidira seguir na mesma direção. Um pouco além do colégio, pessoas entravam e saíam da casa pequena e baixa, de cor amarela e reboco rachado. Também ele resolveu entrar. Entra, senta e observa.A mobília da casa era humilde. Apenas três tamboretes, uma pequena mesa recostada na lateral. Havia, ainda, duas cadeiras antigas, gastas pelo tempo, que sustentavam um caixão. O piso de grandes tijolos, grossos e antigos, trazia consigo lembranças de todos que por eles passaram. Do quarto, vinham soluços e vozes entrecruzadas. Marcos esforçava-se para escutar. Uma velha cortina, amarelada e suja, rasgada na ponta esquerda separava os limites entre a sala e um estreito corredor que dava acesso ao quarto. A tênue luz da sala emprestava ao ambiente uma nostálgica claridade. Marcos, sentado à porta, escutava e observava.No centro, o caixão. Por baixo do véu transparente, a ausência do fôlego vital. Um senhor moreno de idade avançada. No bolso da calça do morto, restos de fumo comprado de manhã cedo na bodega do seu Felício. Um moleque cuidava de espantar as poucas moscas que insistentes pousavam sobre o rosto do defunto. Também acendia as velas que o vento da noite teimava em apagar. Marcos a observar.A senhora de vestido preto chegou à janela e falou sem cerimônia. Era a hora do terço. Marcos a observou. Presos ao alto, os cabelos brancos lhe lembravam uma feiticeira. Tinha ainda um grande nariz e a pele enrugada. Mais algumas pessoas entraram na pequena sala. Fazia calor. Acomodadas à esquerda, duas garotas conversavam baixinho. Era sobre o defunto. Morrera de teimoso, garantiam.Marcos observava. Olhou as duas garotas. Morenas, magras, cabelos longos. Duas graúnas mal cuidadas, pensou. A mais alta não possuía um dos dentes da frente e tinha uma notável cicatriz no pescoço. A outra, mais baixa, de cabelos desgrenhados e tão pálida quanto a luz que se esvaia pelo ambiente, enxugou uma lágrima. Conversavam baixinho. Era sobre o defunto. Morrera de teimoso, garantiam. Marcos se esforçou para ouvir...
Autor: Nonato Costa